Coçar e comer é só começar, escrever também.*

Outro dia, conversando com amigos, falávamos sobre a importância de escrever para articular as idéias. Refletindo sobre o trabalho que desenvolvo na Ilha dos Marinheiros - RG, percebi que faltava começar de uma vez esse exercício. Conversando então com a Teresa, orientadora do projeto, ela me sugeriu que fizesse um blog. Assim, seria uma ótima maneira de organizar o material, organizar as idéias, expor o pensamento e desenvolver o que penso e sinto em relação ao avanço do projeto. O projeto Histórias de Vidas Vividas: uma pesquisa compartilhada sobre a cultura portuguesa da ilha dos marinheiros, foi escrito em 2001 pela Profª Drª Teresa Lenzi. Adormecido até então, o projeto nasceu efetivamente em 2008, a partir da união da minha sede por trabalhar com essas linguagens (fotografia e audiovisual) e da determinação e dedicação da Teresa. Uma dupla que deu certo! Inicialmente a Professora não queria se envolver em projetos nesse período. Estava retornando de um longo período fora, quatro anos na Espanha para Doutorado. Mesmo assim, resolveu tentar. E fomos em frente. Primeiro passamos por um processo no qual não conseguimos classificação. Sem desistir, lá fomos nós!! Na segunda tentativa deu tudo certo!

Projeto aprovado e mãos a obra!

*frase extraída do livro Escrever é Preciso, de Mário Osório Marques

Roberta Cadaval

Felizes estamos na condição de aprendizes e especialistas

Histórias de vidas vividas, é agora um projeto de Pesquisa / PROBIC /FURG / ILA / Curso de Artes Visuais - Licenciatura e Bacharelado. Antes era uma idéia. Mas não era uma idéia descomprometida, do tipo uma coisa entre outras tantas coisas que ocorrem e desaparecem. Não, Histórias de vidas vividas tem raízes mais profundas: é uma idéia que tomou forma lentamente a partir de indagações, percepções, avaliações e posicionamentos que fui desenvolvendo no decorrer da minha vida, relacionados especialmente com os pensamentos e poder descritivo e centralizador de alguns grupos sociais sobre outros. Desde muito cedo, muito antes de receber a alcunha de adulta, já tinha por 'hábito' indagar sobre estas questões, em todos os âmbitos: história, política, religião, cultura. Foi difícil compreender - e isto só foi possível através de muita leitura, viagens, convivências as mais diversificadas - que sempre existiram e existirão grupos e pensamentos dominantes. Que a história e / ou as histórias oficiais, por muito tempo foram escritas e contadas a partir dos interesses de grupos que entendiam estar mais habilitados a fazer isto (bom, civilizações riquíssimas foram extintas por serem consideradas inferiores, primitivas). A história das colonizações é uma prova disto (Herman Hesse, um europeu, há muito, muito tempo atrás, avaliou e ironizou esta situação em um belíssimo e caro texto chamado O Europeu). Eu, ainda muito jovem, diante das narrativas históricas, me indagava o que mais poderia haver além do que estava sendo contado... O tempo passou, não me tornei historiadora, mas continuei indagando e tentando aproximar este interesse da profissão que desenvolvo: Professora de Artes Visuais. A oportunidade de orientar o trabalho de conclusão de curso de Anna Morison, quando acadêmica do Curso de Artes Visuais da FURG, foi reveladora: Anna nasceu na Ilha dos Marinheiros (um lugar especial, com histórias e uma cultura muito particular que atrai a atenção de pesquisadores das mais diversas áreas) decidiu dedicar-se, enquanto espécie autêntica, a historicizar e narrar a vida desta comunidade. E o fez de maneira bonita: simples, sincera, afetiva e criativa. Foi com esta experiência que percebi que o autóctone, quando instrumentalizado, de posse de ferramentas de trabalho, tem condições de narrar, ou como queiramos, de sistematizar sua própria história. Foi, neste ano de 2001, que elaborei este projeto (que por distintos fatores ficou no papel até o ano de 2008) centrado no objetivo de instrumentalizar comunidades a exercitar e vivenciar esta experiência. O encontro com a Roberta foi providencial. Mais, foi definitivo. Roberta, a bolsista (bolsita capitão, bolsista timoneiro...) sabia da existência do projeto e, delicadamente (um elefante em miniatura) me convenceu a disputar uma bolsa PIBIC, que falhou, mas que imediatamente, menos de 2 meses depois, graças a sua persistência, aprovou um edital PROBIC... vingou!!! E a idéia é agora um fato, desde setembro de 2008 (méritos quase exclusivos da persistente bolsista capitão, timoneiro, almoxarife e etc). Roberta não desiste, é persitente, disciplinada, silenciosamente voraz e quer o mesmo que eu: estimular e oferecer como ferramentas à comunidade, nossas habilidades e habilitações na Área audiovisual. A experiência até o momento supera toda e qualquer espectativa. O ilhéu tem demonstrado que histórias contadas na primeira pessoa podem revelar que o pesquisador também pode por vezes ser apenas um aprendiz. Felizes estamos na condição de aprendizes e especialistas que compartilham conhecimentos. Por ora paro por aqui, com Eduardo Galeano, que nos diz:

Para que a gente escreve, se não é para juntar nossos pedacinhos? Desde que entramos na escola ou na igreja, a educação nos esquarteja: nos ensinam a divorciar a alma do corpo e a razão do coração.
Sábios doutores de Ética e moral serão os pescadores das costas colombianas, que inventam a palavra sentipensador para definir a linguagem que diz a verdade.

Galeano, Celebração de bodas da razão com o coração, em O livro dos abraços.

Teresa Lenzi

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um lugar cheio de riquezas em cada detalhe escondido..

Rosaura e Cláudio fotografando uma flor. Fotografia: Roberta Cadaval


Esta ida a Ilha na data da Colheita das Flores foi muito intensa e cheia de sentimentos e sensações distintas para mim. Primeiramente, visitar esta localidade depois de tanto tempo acompanhada de pessoas que ainda não haviam estado lá...
Por vezes, me descobri revelando informações sobre o lugar para estes novos curiosos que embarcavam na nossa aventura e como eu estava sabendo 'coisas'! Me sentia, confesso, um pouco 'pertencente' ao lugar e isto devido ao fato de que além do tempo que trabalhei lá, a convivência com as pessoas e recepção dos moradores me passavam uma sensação acolhedora, como se eu estivesse em casa. E em outros momentos, parecia que estava indo lá pela primeira vez, sempre descobrindo coisas novas ao lado de todo o grupo!

Flor da saudade. Fotografia: Roberta Cadaval

Quando conversávamos com Isair, sobre a 'Flor da Saudade', falávamos sobre essa cultura que somente os mais velhos conhecem. Poucos jovens sabem a respeito das histórias da localidade e poucos demonstram interesse em conhecer. Isair, que nasceu na Ilha, nos relatava que já houveram mais de 8 mil habitantes por lá.. e hoje, encontramos pouco mais de 1 mil... Isto me fez refletir sobre um fato que, por maior que seja sua obviedade, me deixa um pouco triste. Os moradores sobreviviam da agricultura, da pesca, cultivo de flores e cultivavam parreiras para a produção de vinho e jeropiga. Segundo Seu Antônio, morador antigo da comunidade, os filhos aprendiam com os pais e seguiam trabalhando para obter o sustento da família e, desta forma, o s pais depois de tanto trabalhar poderia enfim descansar. Hoje, a situação é diferente. Os filhos não vêem futuro nestas atividades e seguem outros caminhos partindo para poder estudar. Saem cedo da Ilha e seus pais seguem trabalhando arduamente. Eles continuam sobrevivendo destas atividades, mas em uma escala muito menor.
Com estes jovens partindo a Ilha dos Marinheiros será desabitada aos poucos..
E todos nós perdemos com isso.

Ilha dos Marinheiros: um lugar cheio de riquezas, em cada detalhe escondido.

Acredito que isto seja um processo natural, mas é tão importante preservar suas histórias e particularidades. Manter viva a memória daqueles que constituem/constituíram o lugar.
Neste ponto, destaco o trabalho de Anna Morrison, com seu livro "A Ilha dos Três Antônios" (que encontra-se na bibliografia do projeto) e agradeço e parabenizo a Teresa Lenzi (coordenadora e orientadora do presente projeto) pela iniciativa de escrever este projeto, preocupando-se com 'os modos de ver' particulares de cada um - neste caso, o ponto de vista dos moradores da comunidade - e pela oportunidade de poder desenvolvê-lo ao seu lado, aprendendo e descobrindo tantas coisas.
Sei que esta história não irá se perder, mas para isso precisamos seguir trabalhando muito!
E para isto, seguimos!!

Abaixo deixo algumas imagens que revelam um pouco desta aventura...

Lilian videografando as flores. Fotografia: Roberta Cadaval

O grupo descobrindo particularidades da natureza. Fotografia: Marcos Guimarães

O movimento da natureza. Fotografia: Roberta Cadaval

A colheita das flores. Fotografia: Bruno Costa

Bela Rosa. Fotografia: Rhozaura Dias

Tudo Rosa. Fotografia: Rhozaura Dias

Arranjo. Fotografia: Roberta Cadaval

Cláudio e registro de Bruno. Fotografia: Roberta Cadaval

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sementes da Flor da Saudades. Ilha do marinheiros. 31 de outubro de 2009.

Apenas um registro dos registros

Sábado, dia 31 de novembro, ante-véspera do dia dos finados. Saída de campo à Ilha dos Marinheiros. Motivo: documentar o processo de colheita das flores e preparação dos ramalhetes e bouquets que, há gerações ocorre nesta comunidade. Este tema, uma sugestão da Rosângela, uma moradora engajada da ilha (já falamos sobre ela em outros relatos).

Como já é de costume, a saída de campo foi surpreendente. Percorremos toda a ilha, sem um roteiro pré-definido, seguindo as orientações da Lilian, que garantia que não seria difícil encontrarmos as pessoas desenvolvendo esta atividade. E de fato foi mais fácil do que imaginávamos. O tempo se fez favorável: embora fizesse calor não havia muito sol, e por vezes inclusive chuviscava, refrescando o ambiente. As pessoas que fomos encontrando trabalhando na colheita e na preparação dos arranjos foram sempre muito receptivas e espontâneas, e em todas as paradas fomos convidados a entrar nas propriedades para ver de perto a colheita, e todos atenderam as nossas perguntas e se permitiram ser fotografadas e serem entrevistadas em vídeo.

Entre Dálias, margaridas, ‘clavilinias’ (nome que nos foi informado), fomos apresentados a ‘flor da saudade’... Nenhum de nós, os não moradores da Ilha, conhecíamos a citada flor. Uma flor preta, que havámos observado à distância, e que, antes sermos apresentados a ela pelo Isair, havíamos deduzido que eram flores que haviam secado no pé, que estavam ‘mortas’!!! Primeira surpresa... Logo a informação de que a flor da saudade somente é plantada nesta localidade!!! E que é a flor mais tradicional no uso de arranjos para homenagens no dia dos finados. E que é muito procurada por habitantes de outras cidades, como Pelotas, por exemplo. E nós, riograndinos... sequer a havíamos visto alguma vez em nossas vidas. De surpresas em surpresas, e aprendizagens seguimos – difícil comentar todas experiências vividas durante cinco horas de caminhada, em lugar sempre tão novo e revelador, e sempre cheio de encontros, em um texto pequeno.

Importante destacar no conjunto das informações e experiências vividas nesta saída de campo, a constatação de que, embora os praticantes desta atividade não saibam precisar exatamente sua origem e herança - ainda que esteja claro para todos eles que foi uma atividade implementada por seus antepassados portuguêses - que ela continua existindo e continua sendo exercida pelas gerações mais jovens. Em uma das propriedades que tivemos acesso e na qual entrevistamos a toda a família, se encontravam reunidas trabalhando, três gerações: a avó, a filha e a neta (neste caso uma menina de 12 anos). As duas últimas, embora moradoras da cidade, ainda assim continuam, todo ano participando de todas as etapas da colheita e preparação dos arranjos.

Desta saída resultou um vasto material de documentação em fotografias e vídeos, que a partir de agora teremos que sistematizar... e esta é sempre a etapa mais difícil de executar em função da disponibilidade de tempo do grupo de pesquisadores/moradores da comunidade, em razão de seus horários escolares e da falta de equipamentos na ilha. Dentro destas condições, o faremos, lentamente mas com determinação.

Afora a riqueza de informações pertinentes ao tema que motivou a saída, quero destacar um outro acontecimento a experiência vivida pelo grupo estrangeiro à comunidade. Fomos um grupo grande. Além do Marcus (bolsista oficial do projeto) e da Roberta (bolsista voluntária/permanente e co-autora das atividades), contamos com a companhia do Cláudio (companheiro de tantas viagens...), e de outros estudantes do curso de Artes Visuais: Rosaura, Andressa, Rodrigo, Bruno (nosso motorista nesta viagem) e eu. A experiência vivida pelos que, pela primeira estavam ali, é intraduzível em palavras... Ao final das atividades, o vivenciado, com todas suas surpresas, se encontrava desenhado em seus semblantes. Não posso dizer precisamente o que cada um deles sentiu, absorveu, ou como cada um ‘filtrou’ dos acontecimentos vividos, mas posso garantir que foram felizes, suas expressões diziam tudo. Em um dos momentos finais, nos acercamos de uma das praias particulares (isto é um luxo que os moradores da ilha desfrutam assim, sem mais...) da casa de uma das famílias que nos recebeu, para apreciarmos o lago e as dunas. Neste momento, eu caminhava mais a frente do grupo e então parei para esperá-los, e me deparo com uma cena muito bonita. Constato o resultado do dia compartilhado em seus sorrisos, disposição e alegria. E registro a cena... Esta foto vale mais do que palavras.




sábado, 31 de outubro de 2009

Vivendo historias de vidas vividas

Com esse meu primeiro contato com o projeto, tambem caracterizou meu primeiro contato com a propria Ilha dos Marinheiros. Eu, morador de Rio Grande toda minha vida, nao fazia ideia da cultura daquele lugar. Conhecia apenas por fotos, e conversas, mas nunca tive a curiosidade de visitar. Considero, hoje, um grande equivoco de minha parte nunca ter visitado a Ilha.
As vezes conversamos com amigos, ou ate mesmo escutamos certas frases como "quero viajar e conhecer o mundo", mas na verdade nao precisamos ir tao longe para descobrir esse vasto mundo. Eu tive essa experiencia a quarenta minutos de minha rotina. Um local sem a correria da cidade grande, sem industrias poluindo agua ou ar, e muita, mas muita natureza.
Em um determinado momento, enquando faziamos a volta na Ilha, era possivel ver toda cidade de Rio Grande. O contraste é incrivel - predios, fumaça, industrias - e nos do outro lado, escutando passaros, sentindo o cheiro das flores e degustando a Jurupiga.
Conheci pessoas incriveis, extremamente receptiveis, nesse primeiro contato com a ilha. Durante uma conversa com a Rosangela, uma das responsaveis pela fabricacao da Jurupiga, ficamos sabendo que haveria no proximo sabado, 31 de outubro, a poda das flores que os moradores fazem anualmente para montar buques diversos para o dia de finados. Seguimos a dica. Adianto a todos que foi um dia incrivel. Estamos ainda descarregando as fotografias, foram muitas, mas em um proximo contato com o blog todos ficaram sabendo como foi essa historia.
Abraços ;)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Participação no CIANTEC 2009

No dia 12 de outubro, apresentamos o Projeto Histórias de vidas vividas no CIANTEC - Congresso Internacional em Artes, Novas Tecnologias e Comunicação, ocorrido nos dias 11, 12 e 13 de outubro em Aveiro / Portugal. Infelizmente, por questões de trabalho não tivemos condições de estar presentes fisicamente. Nossa participação ocorreu on line e se encontra disponível no site abaixo indicado.

Moodle


http://www.ustream.tv/recorded/2339719

sábado, 10 de outubro de 2009

Histórias de vida prossegue em segunda etapa!

Em setembro do corrente ano concluímos a primeira etapa do Projeto Histórias de vidas vividas / PROBIC. Roberta cumpriu sua participação oficial como bolsista até o final do período estipulado. No dia 25 de setembro, Roberta participou do VIII Seminário de Pesquisa Qualitativa ocorrido na cidade de Pelotas com os resultados da pesquisa até então desenvolvida, e apesar de já haver cumprido oficalmente suas atividades, participará, no dia 13 de outubro do CIANTEC/Portugal e em 23 de novembro em Montevidéo, nas Jornadas Fotográficas. Ainda em setembro, submetemos a concorrência o projeto à nova edição PROBIC 2009 e fomos contemplados novamente com bolsa de iniciação científica. Roberta Cadaval, na condição de formanda não pode concorrer, mas confirmou sua participação como pesquisadora voluntária nesta nova etapa. Com a aprovação do edital PROBIC 2009, soma-se aos trabalhos do projeto, o acadêmico Marcus Guimarães, com o qual esperamos, além de dar continuidade aos trabalhos já iniciados, ampliar nossas atividades. Histórias de vidas vividas segue sua trajetória.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Dos caminhos percorridos

Dos caminhos percorridos. Caminantes, el camino se hace al caminar...
Estamos em agosto, a um mês do término oficial da primeira etapa do Projeto Histórias de Vidas Vividas (o relatório final deverá ser apresentado ao final de setembro), mais um momento importante deste trabalho, já que, inevitavelmente estimula – e exige – a finalização e a avaliação das atividades.

Foram dez meses de atividades efetivas, distribuídas em ações complexas e diversas, que merecem ser destacadas para que possam adquirir ‘materialidade’ e ‘visibilidade’, quais sejam:

1. Os proponentes do projeto, reuniram-se em todo este período, semanalmente, para planejar as atividades, bem como avaliar aquelas em andamento e/ou desenvolvidas;

2. As atividades de saída de campo / vivências, sistematização de dados (incluindo a etapa de pós-produção do material audiovisual), com a participação de proponentes e participantes do projeto, perfez um total de 54 encontros;

3. Os resultados obtidos com as atividades de campo e vivências está traduzido em um conjunto de mais de 900 fotografias, oito horas de gravações em vídeo, e nos diários de bordo dos proponentes e participantes;

4. As pesquisas de campo, desenvolvidas a partir da pauta temática definida pelos participantes compreendeu os seguintes aspectos: café português, Jurupiga, Festa da Nossa Senhora da Saúde. Todos estes temas foram investigados e registrados através de fotografias, vídeos (entrevistas com os habitantes da ilha), e diários de bordo;

5. Foram entrevistados neste período, entre outros, os seguintes ilhéus: Seu Pedrinho e sua esposa Dona Neuci (aulas magistrais de vida e de conhecimento!), Seu Oswaldo (que nos ensinou sobre agricultura e parreiras...), Dona Icléia, ‘a Filha da Titilha’ (e suas lembranças muito particulares e femininas), Dona Marilaine (a mãe da Fabiane, que nos ensinou tanto sobre tantas coisas, especialmente plantas e caranguejos...), Seu Bilio (que fez relatos importantes sobre a festa da Chita!), O pai da Fabi (uma experiência prática sobre a pesca em condições ‘reais’!), a ‘Avó da Fabi’ (tantas lembranças...), A Beth (agricultora, plantadora de uvas, encarregada da merenda da escola e tantas outras coisas mais!), Rosangela e Hermes (Jurupiga, Geleia, pão caseiro, correio alternativo... Obrigada pelo sorriso!). A lista é muito mais ampla...

Dez meses de trabalho e responsabilidade, dez meses de conquistas e, especialmente, dez meses de aprendizagem (aspecto que já destacamos em outros escritos).

De todos os modos, ainda sem ter encerrado definitivamente as atividades, já podemos afirmar, sem dúvida e erro, que atingimos nosso objetivos, que cumprimos nossas metas, e que, superamos nossas expectativas e perspectivas. E que, de fato, aprendemos muito, tanto no que se refere aos aspectos mais objetivos, práticos e visíveis, quanto aos aspectos ‘imateriais’.

No que diz respeito aos aspectos mais práticos e materiais – organização, logística e materialização das atividades – temos que reconhecer que aprendemos com esta vivencia que determinados conhecimentos somente podem ser dimensionados e adquiridos através da prática. A experiência adquirida através das ações concretizadas – reuniões e oficinas, saídas de campo, processos de captura, organização e pós-produção de imagens - em sua maioria atividades coordenadas e viabilizadas pela Roberta Cadaval, exigiram uma continua avaliação, reformulação e por consequência, flexibilidade. Este foi um grande primeiro aprendizado. A proposta de um trabalho co-participado, que significa trabalhar com pessoas, e ao mesmo tempo, em razão das características do projeto – em um lugar que exigia deslocamentos e uso de equipamentos audiovisuais – com a complexidade, exigiu durante todo o período, a concatenação de muitos elementos. Foi preciso coordenar os tempos e disponibilidades dos proponentes e participantes, uma tarefa complexa. Ao tempo e disponibilidades dos integrantes em seu conjunto, foi necessário coordenar a disponibilidade das viaturas – nem sempre possível. E foi ainda necessário ser flexível com as condições climáticas e com o funcionamentos dos equipamentos. Aprendemos que, em situações de tanta complexidade e que envolvem grupos de pessoas, as previsões de tempo de trabalho devem ser maleáveis. Neste sentido, Roberta demonstrou preparo pois, manteve-se serena e foi capaz de encontrar soluções e alternativas para os muitos inconvenientes ocorridos durantes estes dez meses.

Do aprendizado com a complexidade da proposta, em seus aspectos mais conceituais e imateriais, destacamos que foi possível, para nós proponentes, reafirmarmos a nós mesmos, algo que já sabíamos, mas que, em função do vivido, adquiriu outras proporções: o respeito e cuidado que se deve ter com as pessoas envolvidas neste tipo de proposta que tratam de Histórias de vidas. Trabalhar com histórias de vidas, significa, trabalhar com as pessoas, com o ser humano, com suas idiossincrasias, sonhos, desejos, disponibilidade, limites... Pessoas não são ‘objetos’ de estudo no sentido usualmente atribuído ao termo. ‘Objetos’ são coisas das quais podemos fazer uso, lançar mão, mover de um lado a outro, descartar quando julgamos já não mais ‘necessários’. Trabalhar com pessoas significa relacionar-se e comprometer-se, uma tarefa delicada. Não podemos ‘usar’ as pessoas, acioná-las e desligá-las, ou descartá-las quando concluída a atividade. Tarefa delicada...

Por esta razão, entendemos que este foi o maior aprendizado, na prática! Nós sabíamos disto desde o princípio e tivemos isto em mente todo o tempo, e ainda assim, aprendemos, porque fomos surpreendidos pela prática. Por exemplo, a cada vez que uma viatura não podia ser utilizada, a primeira preocupação que nos ocorria era: é necessário informar ao grupo! Sabíamos que eles, nos dias agendados para as atividades, com chuva ou com sol, com trabalhos escolares a cumprir, que eles estariam no local combinado à espera da viatura e dos equipamentos. E sabíamos o quanto de esforço, por parte deles estava implicado.

Por fim, está é uma pré-avaliação, uma maneira de começar a juntar os pedacinhos... entre outras, tais como o trabalho que a Roberta está desenvolvendo com o grupo, de sistematização e edição do material audiovisual. Há muito trabalho ainda por fazer se quisermos cumprir o objetivo final de tornar acessível ao público os resultados desta intensa e complexa vivência.

Teresa lenzi

12 07 09, 22:45

















1. Dona Icléia e suas delicadas 'memórias'. Março de 2009. Foto: Teresa Lenzi.

2. Fotos do acervo da Roberta, Fabiani, Lilian, Bruno e Roger. Montagem: Roberta Cadaval. 'Dos caminhos percorridos'.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ai está a logo do Projeto!

Conseguimos, enfim, criar a logomarca do projeto! Demorou mais do que queríamos, apesar desta ser uma das tarefas que tínhamos determinado, no início das atividades do projeto, como prioridade. Infelizmente, em função da demanda acadêmica não encontramos o tempo adequado - o grupo reunido com tempo para criar coletivamente - para levar adiante a proposta. E infelizmente, o tempo ideal não aconteceu, e a marca foi criada sem uma discussão ao vivo com o coletivo que compõe a equipe de trabalho, embora tenha contado com a aprovação do mesmo. A logo, já incluída no blog, foi elaborada a partir de um mapa de zoneamento da região extraído do trabalho acadêmico de FILARDI, Ana Carla Leão. Proposta de zoneamento ecológico-econômico da Ilha dos Marinheiros (Estuário da Lagoa dos Patos, RS) - Subsídios ao gerenciamento costeiro, e que se encontra referenciado na bibliografia constante no blog. Concentramos a atenção em um detalhe que contempla a cidade do Rio Grande, a Ilha dos Marinheiros e adjascências - áreas que serão objeto de estudo das próximas etapas do projeto Histórias de vidas vividas, e fizemos um recorte. A partir deste recorte, construímos um 'mundo', um globo particular: o mundo das histórias de vidas vividas. Colorimos este mundo com as cores que, entendemos, caracterizam nossa região: azul (muito, muito céu e muita água! que é o que mais nossa vista alcança!), verde (por que o que não nos falta é vegetação, ainda!), e marron/ocre (estas línguas de terra que adentram à água distanciando-se do resto do mundo, mas que são os elementos conectores entre as diferentes localidades da região). Através de filtros, colocamos em destaque os elementos textuais do mapa original, uma maneria de fazer referência à escritura. Assim, o tradicional texto cumpre função metafórica à todo tipo de escritura: visual, sonora. O grupo aprovou, e gostou. E achamos que é uma marca que dá conta dos propósitos do projeto e que a partir de agora será a assinatura com a qual apresentaremos nossas atividades! Enfim, mais uma etapa cumprida!
Ps: Concepção da logo (por uma questão de responsabilidade): Teresa. Execução e co-participação na criação: o insubstituível Cláudio Tarouco.

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